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Até ao momento, foram recenseadas, no PNPG, 226 espécies vertebrados, o que é bem representativo da diversidade faunística merecedora de destaque a nível nacional e internacionalmente protegidas pela Convenção de Berna, 65 das quais pertencem à lista das espécies ameaçadas do Livro Vermelho de Portugal.

Foram inventariadas oito espécies de Quirópteros, três das quais consideradas em perigo de extinção. Trata-se respectivamente do Morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), do Morcego-de-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros) e do Morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale). A comunidade de morcegos presente no Parque revela características principalmente atlânticas, embora com elementos sub- mediterrâneos, como Rhinolophus euryale. A presença do Morcego-arborícola-pequeno (Nyctalus leisleri) na Mata de Albergaria atesta a importância da conservação das já raras manchas de floresta natural em Portugal.



Ocorrem outras espécies com particular importância em termos de Conservação da Natureza, como o Musaranho-dos-dentes-vermelhos (Sorex granarius), a Marta (Martes martes) o Gato-bravo (Felis silvestris), a Salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitânica), espécie endémica do noroeste da Península Ibérica, tipicamente associada a regiões montanhosas com índices de precipitação elevados ou as Víboras (Vipera latastei e Vipera seoanei). A última destas sub-espécies é um endemismo do Norte da Península Ibérica, cuja distribuição em Portugal se restringe às zonas de Castro Laboreiro, Soajo e Tourém.
Salienta-se, ainda, a ocorrência do Lobo (Canis lupus), espécie estritamente protegida pela Convenção de Berna e considerada em perigo segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.



Espécie emblemática do PNPG, o Corço (Capreolus capreolus) encontra-se razoavelmente bem distribuído pelo Parque, com vários núcleos populacionais em situação favorável.



Os cursos de água de montanha, muitas vezes referenciados como rios truteiros, pelas suas características propícias á Truta-do-rio (Salmo truta).


Os cursos de água de montanha representam ecossistemas de grande importância e biótipos preferenciais de espécies representativas da fauna do Parque, nomeadamente : Toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), cuja área se restringe às regiões norte da Península Ibérica e aos Pirineus franceses;

 



Lontra (Lutra lutra), carnívoro bem adaptado aos sistemas dulciaquícolas e em declínio populacional na Europa, encontra na área do Parque Nacional condições propícias à sua existência, nomeadamente cursos de água onde a disponibilidade alimentar é suficiente e presença de vegetação das margens permite condições de abrigo;
                               


Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi), espécie da região ocidental da Península Ibérica, habita nas regiões montanhosas e suas orlas, junto de cursos de água com cobertura vegetal;

 

Rã-ibérica (Rana iberica), endémica da região noroeste da Península Ibérica, em Portugal é sobretudo uma espécie de regiões montanhosas, embora se encontre em zonas periféricas mais baixas.


No que à avifauna diz respeito, a análise biogeográfica mostra, entre os vários grupos avifaunísticos presentes, espécies de origem paleárctica (35%), europeia (16%), holárctica (11%), euro-turquestana (9%) e mediterrânica (6%), denunciando a existência quer de ambientes de carácter nortenho (eurosiberiano) quer meridional (mediterrânico). O encontro destes dois elementos é bem assinalado pela presença simultânea de espécies como o cartaxo-nortenho Saxicola rubetra e a toutinegra-de-cabeça-preta Sylvia melanocephala.

A análise comparativa da avifauna da Peneda-Gerês e do território continental português demonstra, por outro lado, a importância desta região do ponto de vista conservacionista. O número de espécies que aqui nidificam corresponde a 58% do total de nidificantes descritos no Atlas das Aves que Nidificam em Portugal Continental e a 39% das espécies mencionadas no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. De acrescentar a presença de aves consideradas vulneráveis, raras ou em perigo, algumas delas limitadas ao extremo norte do país como é o caso do picanço-de-dorso-ruivo Lanius collurio, da petinha-das-árvores Anthus trivialis, da petinha-ribeirinha Anthus spinoletta, do cartaxo-nortenho Saxicola rubetra, da felosa-das-figueiras Sylvia borin e da escrevedeira-amarela Emberiza citrinella. Refira-se a presença do tordo da espécie Turdus philomelos, de que até há pouco não havia nidificação confirmada em Portugal.

Dentro da variada avifauna aqui existente constituída por 111 espécies nidificantes, 10 invernantes e 42 acidentais ou migradores de passagem destaque-se também a águia-real Aquila chrysaetos, o falcão-peregrino Falco peregrinus, o tartaranhão-azulado Circus cyaneus e a narceja-comum Gallinago gallinago.


De destacar finalmente a extinção do galo-montês Tetrao urogallus (em data desconhecida) e da perdiz-cinzenta Perdix perdix provavelmente na primeira metade do presente século.

fonte: http://www.icn.pt

O cavalo Garrano é uma raça de cavalo nativa do Norte de Portugal, utilizada desde há muitos séculos como animal de carga e trabalho. Devido ao seu tamanho é considerado um Poney.
Este animal, de apascentação livre na raia galaico-portuguesa, há muito que aí vive, fazendo parte da riqueza pecuária dos povos da região.
Nos finais do séc. XIX, com a submissão ao regime florestal do maciço da Peneda-Gerês e de tantos outros montes do nosso País, o garrano viu diminuída a sua importância, quase chegando a desaparecer. Mas em 1943, por determinação do sub-secretário de Estado da Agricultura, foi constituído um pequeno grupo destinado a preservar a raça "em liberdade e no seu ambiente próprio", medida integrada numa ampla acção de criação de reservas de animais autóctones em todos os perímetros florestais.